A importância da socialização infantil

Foto: Jhessika Ribeiro

A interação social é essencial para aprendermos a lidar com o mundo e as pessoas que estão em nossa volta, por isso, a socialização na infância é primordial.
Entre os agentes sociais estão os pais, os professores, os amigos e o ambiente. Para entendermos melhor sobre o assunto, eu entrevistei a psicóloga Isabella Bassetti, da Policlínica Lamvie.
Segundo ela, a socialização é o processo de aprendizagem pelo qual passamos durante todas as etapas da nossa vida e por meio da qual aprendemos as características do meio em que vivemos e também sobre nossa identidade. Na infância, as experiências sociais são cruciais para o desenvolvimento infantil, pois as experiências vivenciadas pela criança são fundamentais para moldar sua personalidade e seu comportamento ao longo da vida. “É por meio da convivência social que as crianças aprendem e desenvolvem grande parte do aprendizado, isto é, aprendem observando, imitando e interagindo. Dependendo da qualidade dessas aprendizagens e das experiências vividas, as percepções, as relações construídas e os aspectos sócio emocionais, se construirão habilidades sociais saudáveis e eficazes”, comenta Isabella.

Como os pais podem ajudar na socialização de crianças pequenas que não vão para a escola

Apesar de serem os primeiros a ter convivência com os pequenos, os pais precisam saber que o círculo social não deve ser restringido ao ambiente familiar durante a infância e estimular a socialização da criança em seus primeiros anos de vida é fundamental para um desenvolvimento saudável.
A psicóloga explica que é importante os pais entenderem que interação social das crianças e as escolhas que elas fazem ajudarão a formar a sua identidade, ou seja, estimular suas competências sociais e emocionais farão com que ela seja capaz de enfrentar os desafios da vida, e quando entrarem na escola estarão mais bem preparados.
Nesse sentido, ela separou algumas orientações:

Imitação e identificação: Brincadeiras que envolvem imitações e associações também ajudam neste processo de formação da identidade. Brincadeiras como imitar bichos, imitar gestos, sons, coreográficas são bons exemplos.

Reconhecimento e aumentar o repertório verbal: Mostrar objetos e figuras novas para que a criança conheça e nomeie é super interessante para os pequenos pois todos esses ajudam a criança a desenvolver a linguagem, fator importante para uma interação adequada. Livros e DVDs educativos são uma ótima opção.

Expor a criança a eventos sociais: alguns pais optam por um rotina onde a criança não apresenta muito contato com outras crianças e até mesmo outros adultos. É importante que os pais compreendam a importância do contato social para o desenvolvimento da criança e priorizem momentos que exponham a criança a esses eventos, pois é vivenciando que ela aprenderá a conviver. Levar a criança em espaço kids, casa de amigos ou parentes, parques, caso a criança seja retraída de o exemplo, brinque e a ajude-a ver com um olhar positivo esses momentos de interação.

Mediar conflitos e ensinar a dividir

É comum as crianças pequenas não saberem lidar com situações que precisem ceder ou dividir, pois ainda nessa fase eles não aprenderam a colocar-se no lugar do outro, nem lidar com a frustração de não ter os desejos atendidos.
De acordo com a psicóloga Isabella, por volta dos três anos a maioria das crianças vão viver a fase do “é tudo meu!”, é nesse momento que os pais precisarão ter um jogo de cintura para que não acabem incentivando esse comportamento na criança.
Para que a criança se familiarize com esse gesto de dividir, é importante que os pais estimulem esse comportamento desde muito cedo. “Situações simples da rotina como dividir a bolacha, uma mordida no sorvete, jogos onde a criança precisa aprender a esperar sua vezes são bons exemplos.”
Para mediar essas situações é importante que os pais usem o diálogo com a criança, uma linguagem que a criança entende, de preferência, fale olho no olho, mesmo em momentos de birra exagerada. Incentivar que a criança se ponha no lugar do outro mesmo que ainda pareça muito pequena é fundamental, “você ficaria feliz se o amigo não devolvesse seu carrinho?”, “o amigo está triste, pois também quer brincar”, “é uma vez de cada, logo você voltará a brincar”. A psicóloga orienta que se ainda assim a criança não emprestar o brinquedo, proponha outra brincadeira sem o brinquedo cobiçado (esconde-esconde, passa anel, pega-pega). “Não tire a força da mão da criança o brinquedo, porém concordar e ceder à birra ensinará que a birra funciona e com ela consegue o que quer, o ideal é entrar em acordo com a criança, para que assim essa lição seja aprendida de maneira acertiva.”

Fatores que podem atrapalhar a socialização

Interagir com outras pessoas é uma questão básica para que possamos aprender a lidar com o nosso meio. No entanto, podem acontecer algumas situações onde isso não ocorra de maneira adequada ou esperada. Algumas delas são:

Timidez excessiva: A timidez infantil é muito comum e em muitos casos persiste até a vida adulta. Apesar de não ser algo preocupante ela em excesso na infância pode prejudicar bastante o desenvolvimento das relações sociais e dos laços afetivos da criança ao longo dos anos.

Baixa autoestima: Autoestima é o sentimento sobre o valor que uma pessoa tem em relação a si mesma e está fortemente ligada a autoconfiança. Essa capacidade de valorizar a si mesmo é um processo que começa a ser construído desde muito cedo, por isso quando a criança apresenta baixa autoestima isso pode influenciar diretamente em sua interação com o meio, deixando-a retraída.

Medo das situações sociais: Medo de situações sociais abrange inúmeros eventos que podem ser vivenciados pela criança, como por exemplo, ansiedade de separação com os pais (apego excessivo) ou ter vivenciado alguma situações que tenha sido aversiva/traumática para a criança e assim a tenha generalizado para outros eventos sociais.

Dificuldades no desenvolvimento ou transtornos subjacentes: Pode acontecer também que algum fator biológico esteja afetando e impedido de desenvolver adequadamente estas capacidades sociais. Por isso, é sempre importante estar acompanhando os marcos do desenvolvimento de seu filho (o que é esperado para cada idade) e fazer visitas periódicas com os profissionais de saúde especializados.

 

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