Como lidar com a birra

Que pai ou mãe não se arrepia de imaginar a cena do filho se debatendo no chão em lugar público numa crise de birra?
Momentos de birra infantil são um teste de domínio próprio para nós pais e eu conversei com a psicóloga Thatiana Bertoncello da clínica Lamvie para saber um pouco mais sobre o assunto.

A psicóloga explica que a birra costuma acontecer dos dois aos quatro anos, podendo começar um pouco antes, por volta dos 18 meses.
Segundo ela, existem dois tipos de birra, uma delas acontece porque a criança não tem maturidade suficiente para lidar com alguma frustração e acaba “explodindo”. “Essas birras acontecem às vezes por uma situação simples, como não conseguir encaixar uma peça de um brinquedo. A criança fica fora dela, fica vermelha, transpira e chora de forma exagerada.”
A Dra Thatiana orienta que se identificar que é esse o tipo de birra, a forma de cessar é acalmar a criança. “Procure mudar de ambiente, abraçá-la e fazer respirar para que se tranquilize. Às vezes só a mudança de ambiente já é o suficiente”, explica.
O outro tipo de birra é a de manipulação. A criança testa o limite dos pais e se acalma assim que tem o que deseja. “Nesse caso não se deve negociar com a criança e sim explicar os motivos que levaram você a tomar a decisão. Após isso, a ideia é distrair a criança, mudar de assunto.”
A psicóloga conta que a birra de manipulação pode continuar após os quatro anos se a criança tiver esse comportamento reforçado pelos pais. Por exemplo, se a criança faz birra em uma loja de brinquedos porque os pais disseram que não iriam comprar e após ela fazer uma birra eles cedem e dão o brinquedo, ela vai perceber que sempre que ela fizer uma birra vai conseguir o que deseja.
A Dra Thatiana acredita que a relação pais e filhos tem que ter como base o respeito mútuo. “Não adianta querer que seu filho(a) te respeite se você não o respeita e é a partir dessa relação respeitosa que pode evitar traumas e quebra de vínculo.”

Castigo

O castigo vem associado a palavra sofrer e não é isso que desejamos aos nossos filhos. “Eles têm que aprender que seu comportamento tem uma consequência e se comportar de maneira inadequada é uma escolha deles e terão que saber o que acontece caso escolham se comportar dessa maneira”, revela.
Para a psicóloga o castigo funciona no imediato, mas cria uma relação de poder injusto e quebra de vínculo. “As consequências são uma das melhores opções uma vez que responsabilizam a criança e dependerão das escolhas que esta fará. As consequências têm que ser diretamente relacionadas com a situação que você quer melhorar/corrigir/orientar. Tem que ser reveladas com antecedência, ou seja, tem que ser dito à criança aquilo que vai acontecer de forma antecipada e repetidas pela criança que vai dizer o que entendeu. Devem também ser razoáveis, sendo justo com a criança na sua aplicação e devem ser respeitosas para as crianças, não havendo humilhação”, finaliza.

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