Desmame gentil e gradativo após dois anos e três meses de aleitamento materno

Foto: Diego Castelo

Há aproximadamente dois meses, nós encerramos o aleitamento materno por aqui e quero compartilhar como foi desde o início.

A amamentação da Elis foi feita com aleitamento materno de forma natural, sem intervenções de bicos de silicone, mamadeira e sem introdução de fórmula, leites em pó, de caixinha ou saquinho.
Na maternidade eu recebi pouca orientação, mas durante a gravidez, eu busquei bastante informação sobre o assunto.
Com dez dias do nascimento dela, precisei procurar ajuda, pois sentia muita dor na hora de amamentar. A pega estava correta, eu tinha leite e ela mamava bem. Continuei sentindo muita dor no primeiro mês. Muitas vezes eu amamentei em meio ao choro, um desafio que optei em enfrentar por conhecer os benefícios do aleitamento materno.
O primeiro mês passou e toda a dor se dissipou e se transformou em prazer.
Amamentar minha filha foi muito mais que suprir as necessidades nutricionais dela, era um momento de carinho e afeto. Com a amamentação supríamos nossas necessidades emocionais também.
Assim seguimos os seis primeiros meses de aleitamento materno exclusivo e em livre demanda.
Iniciamos a introdução alimentar, mas continuamos com a amamentação.

Um parênteses (Aos quatro meses, eu tentei introduzir uma mamadeira com meu próprio leite, pois teria que voltar ao trabalho. A Elis foi bem resistente a isso e como eu acabei sendo demitida, pude continuar amamentando no seio e em livre demanda).

Foto: Sanfer Fotografia

A Elis foi um bebê que adoeceu pouquíssimas vezes, ao longo da sua vida pegou um único resfriado forte, poucas vezes ficou com o nariz escorrendo, tomou antibiótico uma única vez por infecção urinária. Tenho por certo que o aleitamento materno contribuiu para que ela tivesse boa imunidade.
Ela mamou livremente até um ano e sete meses, quando começou a dormir a noite inteira. A partir disso, parei de amamentar de madrugada. Se acontecesse dela acordar, eu dava carinho e dizia que só teria o mamá pela manhã. Algumas vezes, ela pedia água e eu dava.
Durante o dia, seguimos com amamentação em livre demanda até completar os dois anos.

Foto: Sanfer Fotografia

Segundo parênteses (Quando ela estava com um ano e oito meses, eu tive dermatite de contato, amamentei seis meses depois disso sentindo dores e com o seio rachado. Curava de um lado, rachava do outro).
Terceiro parênteses (nesse dois anos e três meses de amamentação, ela ficou apenas três dias sem amamentar o dia todo).

Foto: Paula Soares

Depois que ela completou dois anos, eu restringi as mamadas para três vezes ao dia. Sendo a primeira ao acordar, a segunda antes da soneca da tarde e a terceira antes de dormir. Sempre que ela me pedia para mamar fora desses horários, eu oferecia, água, fruta e carinho.
Seguimos assim por um mês e então decidi a iniciar o desmame gradativo.
Inicialmente, eu tirei o mamá da manhã. Os primeiros dias foram bem intensos com choro e muito grudinho. Fui inventando distrações para mudar o foco e consegui me manter firme.
Ela ficava meia hora ou mais abraçada comigo quando acordava, mexendo no meu cabelo. Esse começo foi o mais difícil de enfrentar.
Depois de uma semana sem mamar pela manhã, consegui fazê-la dormir a soneca da tarde sem o mamá.
Seguimos algumas semanas com ela mamando somente para dormir. Poderia ter tentado tirar antes, mas acabei protelando um pouquinho.
Foi uma decisão difícil, por que mesmo com dor, eu amava esse nosso momento.
E então, dois dias antes da data que eu havia planejado para ser o último mamá, ela não mamou para dormir…
Ela pediu e eu disse tá acabando. Então ela abraçou o meu pescoço por uns instantes e depois ficou brincando, antes de virar para o lado e adormecer.
Eu fiquei atônita! Imóvel, pois não estava nos planos não amamentar naquele dia.
Demorei a pegar no sono.
Na segunda noite, ela me pediu para mamar, eu disse não e ela chorou um pouco.
Então abracei, perguntei se queria água, ela aceitou e logo dormiu.

Foto: Paula Soares

O processo de desmame foi tranquilo, gradativo, tirando da rotina aos poucos, sem pressa e nem traumas.

Aprendemos que posso confortá-la no meu abraço, alimentá-la e saciar a sede de outras formas.

De vez em quando, ela ainda me pede para mamar. Eu dou risada com muita saudade, ela ri também e me abraça. Sou muito grata a Deus por ter amamentado tanto tempo.

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