Relato de parto da Elis

Hoje, minha pequena completa dois anos e eu aproveitei a data para relembrar o dia que ela nasceu. Para contar os detalhes desse dia, preciso antes compartilhar como eu me preparei.

Tirando o fato de me sentir deprimida, a gestação da Elis foi tranquila (leia o relato de gestação), não tive nenhuma intercorrência que predestinasse um parto cesárea.

Desde o início da gravidez, eu quis o parto normal. E quanto mais eu lia sobre o assunto e principalmente sobre bebês que nasceram fora da época certa, mais eu tinha vontade de esperar pelo trabalho de parto, o momento em que a minha filha estivesse formada e pronta para nascer.

Ao longo da gestação, fui descobrindo que haviam artifícios para induzir o parto, amenizar a dor, que existiam procedimentos mais humanizados e violência obstétrica. Descobri também que era possível fazer um plano de parto. Eu encontrei alguns modelos de plano na internet, fui pesquisando o que cada termo significava e fiz um planejamento com o mínimo de intercorrências possíveis.

Participei de algumas palestras e cursos, entrei num grupo de mães que também estavam grávidas e me muni de conhecimento sobre o assunto.

No último mês da gestação, eu trabalhei exaustivamente e acabei atrapalhando um pouco o crescimento da Elis. Então, a obstetra que fez o meu pré-natal, me deu licença alguns dias antes do que eu havia previsto parar de trabalhar para que eu repousasse e a Elis voltasse a ganhar peso e crescer.

Fiz o repouso necessário, mas no dia que eu completei 40 semanas, me enchi de programações. Prestigiei um bazar pela manhã, almocei com o meu marido que estava trabalhando na casa que íamos mudar (sim, 40 semanas, eu estava com metade das coisas da casa encaixotadas para mudar).
Quando voltei do almoço, percebi que o tampão havia saído.
Repousei um pouco, enquanto aguardava dar o horário do meu próximo compromisso. Comecei a sentir algumas contrações, bem espaçadas. Era como uma cólica bem forte, mas como vinha de uma em uma hora, resolvi ir mesmo assim no chá de bebê de uma amiga (Foi uma ótima decisão, pois ficar sozinha em casa, certamente me deixaria ansiosa e atrapalharia o meu sonho de ter parto normal).
Fui para o chá e ninguém acreditava quando eu dizia que já estava sentindo contrações.

Cheguei em casa às 18 horas – detalhe: eu dirigi as 40 semanas da gestação -, tomei um banho e comecei a sentir as contratações muito próximas uma da outra. O meu marido não estava em casa, tinha ido à igreja.

Como estava tudo bem na gestação, eu sabia que o quanto eu aguentasse esperar em casa seria melhor. Minha bolsa não tinha rompido, então eu precisava ficar monitorando de quanto em quanto tempo vinha a contratação.

Eu tinha optado por não pagar a disponibilidade da obstetra e fazer o parto com o plantonista. Então, telefonei para as maternidades a fim de saber quem eram os médicos do plantão e então poder decidir para qual maternidade eu iria (Miga sua louca, como assim? Bom, sabemos que existem muitos obstetras que são cesaristas, que induzem a paciente a fazer uma cesariana sem necessidade. É muito mais rápido ir lá e fazer uma cesariana do que todo o tempo que se leva para um parto normal. Então, eu busquei referências de médicos que fazem parto normal)

Tinha um obstetra que eu queria muito que fizesse o parto da Elis. Eu li muito bem a respeito dele e ele fazia plantão em duas maternidades que o meu plano cobria. Pela graça de Deus, ele estava de plantão, numa das maternidades e isso já me deixou muito tranquila.

Às 20 horas, eu avisei meu marido que era para ele vir embora que eu estava em trabalho de parto.

Jantei e fiquei no chuveiro para ajudar a aliviar as contratações. Meu marido chegou e as contratações foram ficando mais próximas, longas e intensas.

As onze da noite, já tava bem punk, fomos para a maternidade. Daí teve toda a burocracia, fazer internamento. Fui atendida pelo obstetra que eu queria, o Dr. Cecílio Toniolo. Eram mais de meia noite, eu estava com oito de dilatação e embora a Elis estivesse de ponta cabeça, ela não estava encaixada (estava alta).

O médico me encaminhou para uma sala, pediu para fazer um exercícios na bola de Pilates (maldita bola). Fui para a sala e nada do meu marido vir (muita enrolação e burocracia do hospital).

Eu sentia calor e sentia frio. Não tinha posição que aliviasse. Não conseguia sentar na porcaria da bola de Pilates. Era tanta dor que eu não estava conseguindo raciocinar. Eu senti muita sede e a enfermeira do plantão, ficou miserando água para mim (acho que ela pensou que eu não daria conta e faria cesária). Como eu me arrependo de não ter tomado água do chuveiro mesmo…RS

E o pior de tudo eram as outras gestantes que chegavam em trabalho de parto, rapidinho faziam a cesária e iam pro quarto, enquanto eu estava ali quase arrancando os meus cabelos. Sim gente, dói demais da conta!

Lá pelas três da madrugada, eu estava querendo usar um bisturi e fazer a cesária sozinha mesmo. Nem lembrava mais do plano de parto, nem de nada. Só queria que a Elis nascesse logo.

O meu marido protelou o máximo que pode (obedecendo a minha vontade de não deixar eu desistir do parto normal), até que eu falei que se ele não fosse chamar o médico, eu mesma iria.

As três e meia, eu tinha oito de dilatação, a bolsa não tinha rompido e a Elis ainda não estava encaixada. Então, o Dr. Cecílio nos indicou estourar a bolsa artificialmente. Eu concordei, mas pedi analgesia (lembro dele falar que as dores iam piorar. Como assim podiam piorar, gente?).

Quando rompeu a bolsa, o líquido amniótico já estava com mecônio. O Dr. Cecílio falou que ela precisava encaixar, se não teria que fazer uma cesárea, que íamos monitorar para não deixar ela entrar em sofrimento.

Fui fazer a analgesia, que delícia. Tirou aquela dor rapidinho. Fiquei meia hora deitada e depois disso fui caminhar. Cansada, mas sem dor. Fiz uns agachamentos e logo ela encaixou.

Já eram sete da manhã, ele indicou colocar ocitocina, pois a pequena dava indícios de que estava entrando em sofrimento. A parte ruim da analgesia é que você não sabe a hora que a contratação vem. Então, ele tinha que me avisar os momentos em que eu precisava fazer força. Lembro que ele falou diversas vezes é muito cabeluda, tem muito cabelo…rs

As 7h41, a Elis nasceu. A maior alegria da minha vida, um amor a primeira vista, uma paz, uma alegria imensa, intensa e plena.
Impossível não conter as lágrimas e não me emocionar quando me lembro desse momento.
Toda a depressão, preocupação com puerpério e toda dor se dissiparam quando eu olhei aquele rostinho com olhos de jaboticaba me olhando.

A Elis nasceu e eu resnasci. A frase pode ser clichê, mas é uma verdade para mim.

Por mais que a gente leia e se informe, nada se compara com vivenciar a experiência do trabalho de parto, das contratações e do parto normal. Acho que toda mulher, em alguma das gestações deveria passar pela experiência de superação, de se ver muito mais forte do que se imagina.

Nota sobre o Dr. Cecílio
Conhecido por fazer muitos partos normais, ele se mostrou um médico muito humano ao ficar depois do plantão dele, me acompanhando até a Elis nascer. Teve todo o cuidado comigo e com a pequena, respeitando a minha vontade de ter um parto normal. Tenho por certo que nem todos os obstetras agiriam do mesmo modo, muitos indicariam a cesárea por ela não estar encaixada.

 

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